quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aula 24.NOV.2009 - Young Adulthood (Cont.)

Tendo por base o post anterior e as contribuições de Arnett para o conceito de young adulthood, p.f. estabeleçam pontos em comum e pontos divergentes para com este artigo de Devadason (2007), contribuindo com a vossa reflexão crítica.

O artigo em causa está em http://www.eurpolcom.eu/exhibits/JYS_coherence.pdf. Caso tenham dificuldade em aceder, p.f. contactem-me.

Bom trabalho e até 3ª!

7 comentários:

  1. “Este artigo explora o grau em que os jovens adultos, em diferentes situações do mercado de trabalho, são capazes de desenvolver o Self, através de narrativas de identidade.”
    Enquanto o conceito apresentado pelo autor de "Emerging Adulthood", apresenta cinco características de desenvolvimento da idade adulta emergente, neste artigo do “Journal of Youth Studies”, o autor apresenta um desenvolvimento centrado nos tempos de transição em que estão enquadradas as narrativas de vida de jovens adultos.
    Realizou entrevistas a vários jovens adultos e constatou que, as mulheres que foram mães cedo e os indivíduos que abandonaram a escola precocemente, encontram-se em empregos indesejados.
    Os jovens adultos que prosseguiram os seus estudos, foram passando por fases de transição, essencialmente em contexto laboral, até se decidirem por uma carreira que lhes proporcionasse segurança e auto-realização.
    As relações com os grupos de pares acompanham estas transições, de acordo com o incentivo e segurança transmitidos de parte a parte.

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  2. Devadason apresenta as suas concepções acerca do desenvolvimento dos jovens adultos. Efectuando um paralelismo com as concepções de Arnett, verifica-se que Devadason também atribui a esta fase do desenvolvimento a instabilidade (devido à normalização da incerteza) e a tardia transição para o trabalho e constituição de família. Tal como Arnett, apresenta-nos uma fase do ciclo vital em que o processo de individualização é bastante complicado.
    Contudo, podemos também encontrar diferenças na conceptualização desta fase. Arnett aponta 5 aspectos que caracterizam os adultos emergentes: exploração de identidades, instabilidade, auto-focalização e sentimento de "estar no meio de duas fases" e idade das possibilidade. Devadason defende que os jovens adultos poderão construir uma narrativa de coerência pessoal (conceito que implica mais estabilidade do que a concepção de Arnett). Para a construção dessa narrativa contribuem 4 factores: continuidade temporal do self (factor difícil de verificar na actual sociedade marcada pela incerteza); reflexividade do self; relação do self com os outros; raciocínio restrospectivo.
    Penso que Devadason nos apresenta um jovem adulto com maior maturidade do que o adulto emergente de Arnett, que é pouco mais do que um adolescente.
    Devadason defende que os jovens que apresentam uma boa relação com o trabalho conseguem construir uma narrativa de coerência positiva, o que se reflecte numa melhoria da auto-eficácia. Além disso, atribui-lhes a capacidade de reflexividade e de raciocínio retrospectivo, bem como a possibilidade de usar as relações com os outros de forma positiva para o desenvolvimento pessoal. Arnett apresenta um adulto emergente puramente instável, incapaz de delinear projectos coerentes e demasiado centrado em si próprio.
    Em jeito de conclusão, talvez a perspectiva de Arnett seja encontrada naqueles jovens que não conseguem implementar um projecto de vida coerente, ao passo que a perspectiva de Devadason se encontra nos jovens bem sucedidos, inseridos em contextos de trabalho gratificantes, capazes de delinear um projecto vocacional estável e coerente.

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  3. Davadason (2007), à semelhança de Arnett (2006) no seu artigo - “Emerging Adulthood: Understanding the New Way of Coming of Age” - procuram perceber, face às actuais contingências socioeconómicas (consequência das políticas liberais e da privatização decorrentes da globalização) a vivência dos jovens-adultos nos dias de hoje. Arnett (2006), face ao prolongamento vigente entre adolescência e adultez, propõe mesmo que se crie uma nova etapa do ciclo vital, com características muito próprias: a idade de exploração da identidade; a idade da instabilidade; a idade de auto-concentração / discernimento; a idade de se sentir integrado; a idade das possibilidades.

    Por sua vez Davadason (2007), a partir das noções de Richard Sennett - da sua obra “The Corrosion of Character” (onde o autor sustenta que face à actual situação económica e a consequente falta de segurança de emprego, os indivíduos são incapazes de desenvolver uma “narrativa de vida coerente”) – procura perceber através das narrativas dos sujeitos a vivência e os significados que estes atribuem aos vários momentos de transição característicos da modernidade líquida: emprego, educação e desemprego. Os resultados a que chega o autor assentam na ideia que a frequência destas transições (emprego-educação-desemprego) parece não constituir uma variável crucial na criação de “narrativas de vida coerente”. Mais, Davadason conclui que os resultados a que chegou propõe mesmo uma inversão do proposto por Sennett – emprego para a vida – e propõe novos valores pessoais de desenvolvimento do self como sendo: a valorização de novas experiência e desafios, bem como a continuidade de desenvolvimento pessoal e educacional. A importância de conciliação entre metas pessoais com as oportunidades disponíveis na educação e emprego apresenta-se como fundamental para a construção da coerência de narrativas de vida.

    Comparativamente, os dois autores debruçam-se sobre o mesmo a mesma etapa de vida mas com noções estruturantes diferentes. Arnett no seu conceito de “Adulto Emergente” apresenta-nos uma visão negativa desta etapa do ciclo de desenvolvimento vital, caracterizada por uma constante instabilidade e incerteza (produto da modernidade líquida), referindo-se à “incapacidade” ou “dificuldade” do indivíduo lidar com esta realidade em constante mudança. Por sua vez, Davadason apresenta-nos uma visão mais optimista desta “etapa”. Refere-se à possibilidade de, embora as contingências actuais, os jovens-adultos criarem uma narrativa de vida coerente, que não seguindo os padrões tradicionais dos momentos de transição, ganhou novas prioridades como: a possibilidade de viver novas e diferentes experiências, de se constituírem novos desafios e oportunidades de vida.

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  4. Existe, neste artigo de Devadason, uma certa continuidade do pensamento de Arnett na medida em que apoia, de alguma forma, a interpretação e análise deste. O rompimento com o pensamento de que a passagem do jovem adulto era marcado por acontecimentos padrão: finalização dos estudos, conseguir emprego para toda a vida, casamento, vinda do 1º filho, etc, passando agora para acontecimentos que possuam relevância para a vida do jovem, vem apoiar este seguimento.
    No entanto, este autor vai ainda mais longe na análise deste fenómeno das sociedades modernas. Com efeito, a noção do conceito de que acontecimentos marcantes na vida de um individuo passa a ter uma relevancia ainda maior. Segundo Devadason, a historia de vida do jovem passa a ser constituida por toda uma panoplia de acontecimentos, sejam agradáveis ou não. Esta riqueza de acontecimentos tão variados: finalização dos estudos, arranjar emprego, o despedimento, os contratempos na vida, passam todos a constituir a manta de acontecimentos que serão o mote para a narrativa de vida.
    Pelo estudo levado a cabo pelo autor, verifica-se que existe uma cultura nos jovens que os leva a valorizar todo o seu passado para uma efectiva construção do seu futuro. A valorização que muitos têm das fases da vida por onde passaram, do esforço que tiveram de desenvolver porque partiram de estagios estruturalmente inferiores, sejam por motivos raciais, economicos e sociais, passa a constituir a força que os leva a uma progressão na vida, ou pelo menos numa tentava nesse sentido.
    Penso que em contraposição a Arnett, em que já indicava factores marcantes na vida do individuo como responsável pela passagem daquele, dum estágio de adulto emergente para um adulto efectivo, o autor pretende ir mais longe e indicar que existem, mesmo assim, não uma continuidade de efeitos e acontecimentos positivos, o efeito “cadeia de acontecimentos”, para que esta passagem se sinta mas igualmente um somatório de acontecimentos e vivencias que fazem possivel a evolução para a adultez. Mais, a frequencia de acontecimentos deixa de ser factor indicativo das diversas passagem de estagios na vida e entra-se com outra variavel em que o sentimento de auto-realização passa a ter o maior peso na equação.
    As diversas entrevistas narradas no artigo de Devadason, apoia a ideia que o sonho que orienta a vida do jovem, na sua busca pela sua concretização, nas fases por que vai passando no trilhar do seu caminho, em que cada fase conquistada é assimilada como uma etapa ganha, seja esta etapa má ou boa, fazendo merecer com que seja incluida na narrativa de vida do individuo é, afinal de contas, o que faz a passagem para adultez deste “adulto emergente”

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  5. De acordo com Devadason, o clima económico contemporâneo impede que as pessoas sejam capazes de criar histórias de vida com significado para si próprios. Uma sociedade caracterizada como episódica e fragmentada dificulta o desenvolvimento de uma narrativa de identidade.
    O velho capitalismo industrial criou empregos para toda a vida, porém as transformações dos mercados de trabalho originaram crises de identidade nos jovens trabalhadores, atrasando o processo de transição para a idade adulta.
    Devadson abordou um estudo com jovens adultos com idades compreendidas entre os 20 aos 35 anos, por outro lado Arnett considera que o adulto emergente tem uma idade compreendida ente os 18 e os 25 anos.
    Fazendo um ponto de conexão com o artigo de Arnett, este refere que nas sociedades industrializadas, marcadas pela globalização, os jovens experimentam actualmente um “período de espera” mais longo antes de entrar na idade adulta, porque ainda se encontram a estudar ou porque o mercado de trabalho é precário não lhes permitindo serem auto-suficientes. Esta complexificação das funções e papéis sociais, empurram a entrada da idade adulta para idades mais avançadas.
    O estudo de Devadson revela que os jovens demonstram uma inversão de valores do velho capitalismo. A noção de uma vida de trabalho linear e com uma trajectória de projecção balística é ultrapassada. Neste sentido, a mudança de emprego, evitando a monotonia, significa uma vida caracterizada por novas experiências, desafios e desenvolvimento pessoal contínuo. Porém, aqueles que permanecem em baixos salários e com empregos rotineiros por longos períodos, ficam desiludidos quando fazem progressos limitados em relação aos seus objectivos.
    O artigo aborda as narrativas de identidade dizendo que são moldadas através de pontos de viragem na história de vida dos indivíduos, alguns dos quais envolvem o
    emprego. A individualização do curso da vida na sociedade pós-moderna contribui para a construção de um projecto do self. Arnett considera que a exploração da identidade permite a construção de um self mais estruturado do sujeito que procura encontrar a resposta para o “Quem sou eu?”.
    Devadason refere que apesar de haver cada vez mais mercados de trabalho flexíveis e insegurança no trabalho seguinte, o estudo destaca o dinamismo dos mais jovens que são capazes de interpretar as interrupções no seu trabalho como vias para o desenvolvimento pessoal e, consequentemente, melhorar a sua vida profissional.
    Como conclusão, Arnett apresenta-nos um adulto emergente instável, com grandes dificuldades na capacidade de tomada de decisão, por outro lado, Devadson coloca a questão da reflexividade e das transições como promotoras de sucesso profissional.

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  6. Tal como Arnett, Devadason apresenta-nos uma fase da vida pautada pela incerteza e instabilidade. O jovem adulto é caracterizado pela tardia saída da casa dos pais e consequentemente tardia constituição de família, emprego seguro, entre outros.
    Como se existisse uma fase de “pausa” na vida dos sujeitos, em que pouco lhes é exigido, dado que se encontram numa fase intermédia – não são adolescentes (com tudo o que marca esta fase do desenvolvimento) mas também ainda não são adultos.
    Todavia, estas são duas teorias que apesar de convergirem em alguns aspectos, outros há em que divergem.
    Ambas as teorias apontam uma nova etapa da vida como a etapa da “adultez emergente”, porém, para Arnett esta seria marcada pela precariedade, pela indecisão, instabilidade e incerteza. A incapacidade do indivíduo “seguir em frente” pelas resistências que lhe criam o clima de constante mudança.
    Já Devadason remete-nos para uma etapa cheia de possibilidades dada a adaptabilidade do indivíduo e a sua capacidade de fragmentação, (aspecto que lhe é cada vez mais exigido, mas que o torna mais adaptado e capaz). O jovem adulto para Devadason será caracterizado pelo dinamismo, criatividade e vontade de criar novas oportunidades.
    Duas perspectivas que na minha opinião não se seguram por si só. Apenas ressalvando alguns aspectos de cada uma se consegue fazer o paralelismo aos tempos que se vivem actualmente, em que a incerteza não permite definir de forma estanque e exacta as características de um grupo de pessoas, sobretudo nesta fase do ciclo vital marcada pela constante mudança de pensamentos e comportamentos.

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  7. Cara Ana Martins,

    Peço desculpa de fugir ao assunto, mas não encontrei outro meio mais fácil de contactá-la. Agtradecia enviasse um email com o seu contacto para reflexao.portista@gmail.com, pois gostavamos de trocar umas imoressões consigo.

    Muito obrigado

    Alexandre Burmester

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