quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Aula 10.Nov.09
Com base no que é transmitido por Frank Usarski a propósito da obra de Zygmunt Bauman (videos mais abaixo ou outras fontes que julguem pertinentes), p.f. apresentem as vossas reflexões sobre as conexões entre o pensamento deste último e a relação entre o sujeito e o trabalho na sociedade contemporânea. Até breve!
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Encontramos na obra de Zygmunt Bauman alguns pontos de correspondência com a relação entre o indivíduo e o trabalho.
ResponderEliminarModernidade sólida vs modernidade líquida – não houve uma real evolução da modernidade; apenas uma intensificação da mesma. Tal como aconteceu no trabalho, em que não houve evolução nos últimos anos (ao nível das condições, por exemplo), mas sim uma intensificação, uma maior rapidez e uma crescente exigência de flexibilidade ao trabalhador. Na modernidade líquida não temos uma forma definida, tudo é mutável e plástico, criando incerteza e exigindo um elevado nível de adaptação aos indivíduos. Não existe rigidez nem previsibilidade, exactamente o que acontece no mundo do trabalho. Nada é duradouro, nem mesmo o trabalho.
O consumo é mais importante do que o trabalho – actualmente, as pessoas trabalham para consumir, pois a sua identidade depende do seu grau de consumo na sociedade. O trabalho é apenas um instrumento que permite fazer parte de uma sociedade de consumo desregrado. Não há compromisso nem vínculo emocional. Assim sendo, como Bauman afirma, o ser humano é vítima da modernidade, do consumo e do trabalho.
Constante mudança de atitudes – O indivíduo altera o seu registo atitudinal no sentido de se adaptar ao contexto. No que se refere ao trabalho, altera as atitudes para se integrar num meio laboral instável e em constante evolução. A personalidade do indivíduo é cada vez menos sólida e mais líquida…
O consumo é transversal a todos os domínios da sociedade – Mesmo a religião tem de ser apresentada como uma oferta de consumo, só assim apetecível ao indivíduo. Tudo terá de se basear em valores maleáveis, susceptíveis de serem moldados pelo individualismo, pois apenas se vai consumir aquilo que der resposta ás necessidades actuais. Só assim o indivíduo mantém o seu equilíbrio, por exemplo, perante um mercado de trabalho instável e imprevisível.
A identidade é gerada pelo lugar social – o trabalho é determinante no lugar social ocupado pelos indivíduos, logo a identidade é, em parte, gerada pelo trabalho. O estatuto social que advém do trabalho e os significados atribuídos pelo sujeito contribuem para o desenvolvimento da sua identidade. A incerteza e a mobilidade entre empregos geram uma confusão identitária no indivíduo, já que oscila (percursos de borboleta) entre vários empregos, tendo de adaptar o autoconceito constantemente.
Existência de uma diferenciação de papéis – Bauman refere esta diversidade de papéis que surge no pós-modernismo. O trabalho também é responsável por esta multiplicidade de papéis, pois não confere estabilidade ao indivíduo. Da constante mudança no trabalho nascem diferentes papéis assumidos na sociedade, o que pode criar crise de identidade.
No pós-modernismo verifica-se uma estratificação da sociedade, havendo diferenças de acesso à informação – Aqui pode-se estabelecer um paralelismo com a construção de projectos vocacionais, processo altamente determinado pelos constrangimentos sociais. Os indivíduos constroem os seus projectos de acordo com as possibilidades inerentes ao seu estatuto social, guiando-se pelos constrangimentos impostos pelos sistemas em que se inserem.
O pós-modernismo resulta numa diluição de valores – já não existe um entendimento colectivo dos valores, pois estes são integrados de forma individualista. Assim, a construção de projectos vocacionais faz-se numa vertente puramente individualista, orientada para o consumismo que permita a afirmação social.
Zygmunt B. traça-nos um diagnóstico da sociedade como estando paralisada pelo medo, manipulada pelo sono da época moderna e pela crença da razão. Baseando-se nestes conceitos esboça a imagem de que a religião rígida, com o seu rol de cultos, ritos e costumes viu-se esbatida ou praticamente decadente numa época pós moderna. Segundo Bauman, a crescente complexidade das sociedades vem exigir uma equivalência dessa mesma complexidade ao ser humano. A religião tradicional, rígida, regida por códigos de conduta universais deixa de ter lugar numa época como esta. A extrapolação do conceito religioso para outras áreas da vida do homem é quase directa.
ResponderEliminarNa pós-modernidade vive-se um paradoxo: a sociedade exige mais ao ser humano quer em termos quantitativos, quer qualitativamente, exigindo mais tempo, mais bens materiais, mais trabalho e serviços. No mundo do trabalho a maleabilidade é ponto de ordem. O mercado laboral exige ao trabalhador o que a sociedade exige em termos de complexidade. O ser humano procura no trabalho um meio de satisfação das suas necessidades materiais e imateriais, tendendo mesmo a satisfazer necessidades que nem sabia que as tinha. A pós-modernidade ao ser um conceito difuso, apresenta novos requisitos, a sociedade pede sempre mais, o ser humano tem de possuir mais, logo a oferta necessita de ser maior.
Esta crescente demanda ao ser humano leva-o a procurar obter mais do que por vezes necessita. A religião, como mais uma vertente destas necessidades, a par do trabalho, faz com que a busca da satisfação das necessidades de fé sejam suprimidas por métodos, rituais de oferta que o tradicional não consegue colmatar. No trabalho o conceito é igualmente aplicável, a crescente necessidade da identificação do sujeito na sociedade, no seu grupo de amigos, trabalho família vem trazer uma insatisfação quanto ao tradicional.
Neste ponto, a identificação do ser humano, tanto a nível individual, laboral como no seu posicionamento na sociedade vem sendo despojada de valores individuais, em função dos valores da sociedade. A ironia desta situação é que a mesma provoca a necessidade de uma busca incessante do seu eu, que de alguma forma marque a sua individualidade.
A evocação da emoção no envolvimento do homem com o trabalho não é apenas uma necessidade, é quase um pré-requisito. Não é possível ao homem envolver-se emocionalmente com um mundo sem regras, ou melhor sem regras fixas, a única regra é conseguir manter-se num crescendo de complexidade, no qual o consumismo desenfreado assume um papel cada vez mais activo e poderoso. Já Gorz, no seu livro o Imaterial, defendia que a actividade empresarial exige a mobilização total dos seus colaboradores, quer ao nível das capacidades, disposições e compromissos afectivos, pois só desta forma trás sinergias e mais valias para a produtividade e desenvolvimento pessoal.
“Pós-Modernidade” é um dos conceitos mais difusos da sociedade contemporânea. Em termos temporais, tal como refere Frank Usarski, há autores que remetem o seu início para 1875 (o historiador inglês Toynbee) e vários outros que apontam para as décadas de 1970 e 80. Mesmo com toda a relativização em torno do conceito, dois dos aspectos mais consensuais da Pós-Modernidade são a diversificação das formas organizacionais e a apropriação / reformulação de vários estilos tradicionais.
ResponderEliminarUsarski refere-se à incursão da Pós-Modernidade pelo campo religioso e dá o exemplo das vertentes radicalmente opostas no panorama moderno: o individualismo radical (“há tantas religiões quantos indivíduos”) coabita com o mais básico fundamentalismo (que não aceita a dispersão ideológica). Há inclusive uma aproximação do apelo religioso ao consumo – Usarski utiliza um exemplo curioso quando diz que algumas religiões modernas publicitam o facto de providenciarem transporte para os idosos, ou poltronas individuais e aquecimento nas igrejas.
O individualismo alimentado pelo consumismo
Na Pós-Modernidade, o consumismo é omnipresente - a identidade do indivíduo assenta no seu grau de consumo e o trabalho é a forma de garantir a continuidade desse modo de vida. A sociedade exige cada vez mais do homem e este tem de ramificar o seu “self” para conseguir dar resposta aos vários papéis sociais que lhe são exigidos.
Como consequência, no contexto do trabalho o indivíduo tenta um melhoramento contínuo, tenta crescer, destacar-se e valorizar o seu capital imaterial. Ele envolve-se, entrega-se (qual membro de uma religião), deixa de ter tempos de lazer pois estes confundem-se com os tempos de trabalho.
Como refere André Gorz, “a fronteira entre o que se passa fora do trabalho, e o que ocorre na esfera do trabalho, apaga-se” (L’Immatériel, 2003).
De acordo com o discurso de Frank Usarski sobre a obra de Zigmunt Bauman a religião é uma das dimensões essenciais na construção de sentido para os seres humanos.
ResponderEliminarSe a religião tradicional oferecia a “experiência máxima” à custa de uma vida de sacrifícios, a versão pós-moderna da religião concilia os dogmas com a ordem liberal do consumo. Não há valores permanentes e toda a identidade é fragmentada.
Para Bauman a “existência é moderna na medida em que contém a alternativa da ordem e do caos.”.Desta forma, distingue Modernidade Sólida de Modernidade Líquida.
Bauman considera a modernidade sólida, o período da modernidade, caracterizado pelo controlo do mundo pela razão e a Modernidade Líquida uma época nova, o período pós – modernidade.
A "modernidade sólida", desfragmentava a realidade com uma perspectiva de longa duração, enquanto a “modernidade Líquida” não o faz numa perspectiva de longa duração.
Bauman apoia-se no conceito de "liquidez" para caracterizar o estado da sociedade moderna: “como os líquidos, a sociedade actual caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma.” Tanto as instituições como os estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificarem em costumes, hábitos e verdades. Pode dizer-se que actualmente os empregos caracterizam-se por serem temporários e flexíveis, cada vez mais se fala em equipas multi – disciplinares, mas na verdade o trabalho é cada vez mais uma actividade individualista, onde se valoriza o estatuto e a posição social de cada indivíduo.
Na modernidade líquida podemos identificar através da centralidade do consumo um meio por onde opera uma objectivação e instrumentalização das relações sociais. O consumo torna - se, na modernidade líquida, a fonte principal de satisfação. Mas, além de fonte de satisfação, o consumo torna - se o meio por onde os indivíduos se constroem como sujeitos.
De acordo com Bauman os objectos perdem rapidamente o seu poder de sedução, com o consumo a sedução perde-se.
O mesmo acontece com o conceito de individualização obtido através do consumo. A identidade individual torna-se temporária, o consumo torna-se a forma de construção do self e todas as relações passam a ser reduzidas a relações de consumo. Inclusive as mais profundas relações afectivas são afectadas pelo consumo como ideal do agir social moderno – líquido.
Pode concluir-se que as relações humanas que se constroem pelo consumo, tornam-se frágeis e temporárias pois o que é mais importante hoje em dia é o consumo e não o trabalho, somos vítimas do consumo e do poder sedutor do consumo.
De acordo com Bauman a Modernidade é caracterizada pela Modernidade Sólida e a Pós-Modernidade é caracterizada pela Modernidade Líquida onde não se manifestou uma grande evolução, porém uma intensificação da modernidade.
ResponderEliminarBauman destacou o mundo do trabalho, as classes sociais, tinham um lugar seguro, e a relação entre trabalhadores e empresários. o mais importante não era o trabalho, mas o consumo, dizendo que os sujeitos são vítimas do poder do consumo. Defende que a identidade é formada através do conjunto de papéis e de imagens que o consumo nos oferece.
Relativamente à dicotomia Modernidade e Pós-Modernidade, historicamente a sociedade Moderna era primitiva onde não existiam profissões especializadas. A diferenciação de papéis inicia-se quando a sociedade começou a produzir mais do que consumia.
Quanto à sociedade Pós-Moderna a sociedade é hierarquizada, onde algumas profissões são mais importantes do que outras, onde existe uma maior reputação em detrimento de outras profissões.
Bauman salienta que na Modernidade Líquida o sujeito é confrontado com a pluralidade de ofertas que recebe, ofertas que são temporais porque estão constantemente a serem produzidas novas ofertas.
Como conclusão, é importante salientar a era da solidão do sujeito.O que é urgente fazer na Pós-Modernidade é relaxar perante o outro, criar relações de intimidade para o sujeito conseguir enfrentar as suas incertezas e desenvolver uma identidade segura.
Frank Usarski a propósito da Obra de Zygmunt Bauman relaciona 2 conceitos chave: trabalho, consumo. Incluiríamos um terceiro conceito: projecto vocacional, com o objectivo claro de tentar perceber a relação entre estes. Bauman é um sociólogo marxista. É curioso analisar, contudo, a forma como este reflecte sobre a sociedade contemporânea – Pós Moderna, sobretudo no que diz respeito à importância da classe social na construção da Identidade, orientada segundo padrões de consumo, e que segue os padrões da Pós modernidade. A relação que o sujeito estabelece com o trabalho ou a sua postura face à construção de projecto vocacional estará muito dependente da estrita relação entre consumo vs trabalho, que por sua vez estará sempre condicionada pela sua classe social. Desta forma importa reflectir até que ponto os projectos vocacionais são ou não construídos, pensados, em função de padrões de consumo, inerentes ou “associados” a determinada classe social.
ResponderEliminarPor outro lado, a escolha de uma profissão ser ou não determinada pelo maior ou menor poder de compra que esta possa possibilitar. Referimo-nos aqui a uma questão que pretendemos analisar no futuro: será que o(a) Filho(a) de um padeiro, pedreiro, carpinteiro, costureira, médico, arquitecto, engenheiro, tem maior ou menor probabilidade de vir a ter uma profissão idêntica à dos pais, e quais as influências (havendo) no processo de tomada de decisão vocacional.
Bauman refere-nos que a Pós-modernidade – Modernidade liquida, não é mais que uma intensificação da Modernidade - Modernidade sólida. Um dos vectores sociais que mais sofreu com esta intensificação foi sem dúvida o trabalho ou as relações laborais. Vivemos numa “Era” de grande incerteza marcada fortemente pela grande flexibilidade e precariedade laboral. Esta situação leva-nos a outro ponto de análise que é tentarmos perceber até que ponto o trabalho, impulsionado pela necessidade de consumo, é ou não des (estruturante) da identidade. Percebemos claramente que a sociedade em que vivemos, dita Pós-moderna, é orientada segundo padrões de consumo. A falta de trabalho ou a incerteza laboral gera no indivíduo, ao extremo, a impossibilidade de consumir, de se “auto-realizar”. Assim, a forma como o indivíduo vai lidar com a incerteza (eg. Situação de desemprego), - mediante activação do sistema comportamental de vinculação - será determinante.